*REZA A LENDA*

Com cenas de perseguição e tiroteio tensas e realistas, "Reza a lenda" convence o mais ferrenho fã do gênero de ação


O filme Reza a lenda, dirigido pelo estreante Homero Olivetto e estrelado por Cauã Reymond Sophie Charlotte, chegou aos cinemas no dia 21 sob a alcunha de "Mad Max do sertão". O título poderia ser facilmente alterado sem danos à publicidade, trocando-se o nome do filme pós-apocalíptico de George Miller pelo de algum outro longa-metragem repleto de sequências de violência em câmera lenta e perseguições com carros e motos: Rock'n'rolla - A grande roubadaVelozes e furiososO exterminador do futuro...
Cauã Reymond como o bandoleiro Ara, no filme Reza a lenda. Ele protagoniza cenas de ação dignas de uma produção estrangeira (Foto: Divulgação)
A comparação com filmões de orçamento colossal é merecida porqueOlivetto conseguiu fazer o que parece muito difícil no Brasil: produzir um verdadeiro filme de ação. Logo na abertura, o espectador depara com carros e motos num confronto em alta velocidade, que culmina num acidente de tirar o fôlego. A montagem nervosa mantém o espectador viciado em adrenalina de olhos arregalados. Não há vestígio de amadorismo. Mas, mais do que se igualar às produções americanas, Reza a lenda transforma o estilo gringo e dá à ação alucinante um toque de cangaço e sertão bem brasileiro.
O cinema nacional já tratou bastante de cangaço e bandidagem na caatinga e no sertão, mas não como fontes de inspiração para histórias de aventura. Houve uma produção de faroestes brasileiros nos anos 1950, mas ela foi definhando e desapareceu nos anos 1980.
Reza a lenda combina espírito aventureiro e efeitos especiais convincentes à tradição nacional -- inclui crítica social, religiosidade e terra seca. A trama gira em torno do roubo da imagem de uma santa que faz milagres. Liderado por Ara (Cauã Reymond), um grupo de bandoleiros munidos de armas e motos velozes crê que a estátua de um latifundiário inescrupuloso (Humberto Martins) deveria estar no altar de uma capela no meio da caatinga e não exposta num morro, com entrada paga. Ao longo da narrativa, bandidos se transformam em justiceiros e o tal do latifundiário se torna cada vez mais monstruoso – é na presença dele ou de seus capangas que se desenvolvem as melhores cenas de ação.
trilha sonora que embala Reza a lenda é mistura estranha e certeira. O som característico de sanfonas e flautas da música nordestina eventualmente dá lugar às batidas pesadas do trap musicda dupla brasileira Tropkillaz, aos riffs de guitarra de Pitty, à versão mais pesada da disco music brasileira de Bárbara Eugênia e outros ritmos urbanos.
Um pecado do filme é a superficialidade dos personagens. O filme poderia ter seguido Mad Max e apresentado personagens femininas mais interessantes. Sophie Charlotte perdeu toda sua feminilidade para encarnar Severina, uma cangaceira endurecida pelo tempo. Mas o ciúme que ela sente de uma forasteira (Luisa Arraes) enfraquece seu discurso. A personagem de Luisa, por sua vez, é a mocinha indefesa e conformada de sempre que precisa de um salvador – por quem eventualmente se apaixona. Nesse ponto, Reza a lenda segue uma tradição ruim dos filmes de ação hollywoodianos.
Nesse mix de referências, Reza a lenda convence. Ao subirem os créditos, o público que prestou atenção ao cartaz na porta de entrada da sala de cinema e ainda vai assistir a Mad Max poderá até pensar:Mad Max é que é uma espécie de Reza a lenda no deserto.

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